General russo em estado grave depois de ser baleado em Moscovo

General russo em estado grave depois de ser baleado em Moscovo
Ainda não se apurou a identidade do atacante, mas Moscovo já culpou Kiev, acusando Zelensky de querer sabotar as negociações de paz em curso em Abu Dhabi.

Um militar de alta patente das Forças Armadas da Rússia, o general Vladimir Alekseyev, foi, nesta sexta-feira, baleado várias vezes num prédio de habitação em Moscovo. Neste momento, está hospitalizado em estado grave.

Não se conhece a identidade do atirador. As autoridades estão neste momento a rever as gravações das câmaras de segurança do local do crime e a interrogar as testemunhas. Apenas se sabe, neste momento, que o atacante disparou “vários tiros” sobre Alekseyev, que é o “número dois” dos serviços secretos militares russos (GRU).

O ministro dos Negócios Estangeiros russo, Serguei Lavrov, já culpou a Ucrânia pela tentativa de assassinato do general, alegando que mostrou que “Zelensky quer prejudicar o processo de paz”, objectivo das negociações desta semana em Abu Dhabi.

O general é uma figura importante na Rússia: destacou-se durante operações ‘secretas’ na Síria, onde a Rússia interveio militarmente em 2015 em apoio ao regime do deposto ditador Bashar al-Assad. Mais recentemente, supervisionava as empresas militares privadas do país e esteve entre os responsáveis pelas negociações com o mercenário Yevgeny Prigozhin, que liderou o curto motim do grupo Wagner no Verão de 2023. Morreu num acidente de avião dois meses depois.

Alekseyev também é alvo de sanções norte-americanas pelo seu alegado envolvimento nos esforços de interferência nas eleições presidenciais de 2020, refere a Reuters.

O general é o “braço-direito” de Igor Kostyukov, chefe dos serviços secretos militares russos, que liderou a delegação russa nas negociações entre Moscovo e Kiev em Abu Dhabi, onde foi anunciada na quinta-feira uma nova troca de prisioneiros.

Vários militares têm sido alvos de ataques e até morrido desde o início da guerra na Ucrânia. Desde Dezembro de 2024, três militares da mesma patente de Alekseyev morreram em Moscovo, à porta de casa ou no carro.

A Rússia tende a culpar a Ucrânia pelas mortes e pelos ataques – o jornalista do The Guardian, Pjotr Sauer, antecipava, esta manhã, que Moscovo viesse a acusar Kiev de sabotagem das negociações em curso — com os serviços secretos ucranianos a aceitarem a responsabilidade às vezes.

Este último episódio levantou as críticas de vários analistas de guerra russos, que acreditam que as altas patentes do país deviam ter protecção adequada.

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